Santuário

"Os céticos ou desanimados que ainda pensam (e dizem) que a poesia morreu encontrarão neste livro de sonetos de Maria de Fátima razões para duvidarem de seu próprio prognóstico. Aqui, a autora desenvolve com grande sentimentalismo o perene tema dos poetas líricos: o tema do amor demais, das contrariedades que causa e do temor que suscita. Amor é coisa que faz sofrer, mas é a coisa que eu mais quero, diz-nos a poeta Adélia Prado, num dos seus momentos confessionais típicos. Maria de Fátima vai nessa linha, que ascende à poeta Rosalía de Castro e, também, à poeta Florbela Espanca, talvez a mais confessional de todas. Como todos sabemos, uma das formas soberanas da poesia lírica - mas não somente desta - é o soneto, que o grande Olavo Bilac chamava de forma da perfeita forma. Todos os poetas sofrem de angústia do soneto, porque a sua feitura é desafiadora e complexa, sempre deixa a impressão de que a obra poderia ser melhor ou está incompleta. Mas isso é coisa dos escritores de poesias sonéticas. Pois bem. A poeta Maria de Fátima se lança no continente do soneto com muita segurança e ainda maior confiança, produzindo resultados de admiranda firmeza estética, mesclada com aquele dito sentimentalismo que é a matéria do que a poesia é feita, especialmente os sonetos confessionais. O viés confessionalista é uma espécie de sombra dos poetas líricos e românticos, acompanha-os fielmente e nunca os deixa sós. Esse viés é perdurável e se mistura com tanta intimidade no afazer poético, como ocorre com Maria de Fátima, que nem se pode dizer se a narrativa é autobiográfica ou se é mais coisa da imaginação. Aliás, sobre isso, Fernando Pessoa deixou a frase antológica de que o poeta é um fingidor e finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente. O livro de Maria de Fátima vai, por si mesmo, firmar-se entre os exemplares confessionalistas e, com certeza, granjeará um lugar vistoso entre os seus similares. Isso não é um augúrio, mas uma convicção, em virtude da qualidade do tema, da perícia da poeta, da forma sonética que ela tão bem desenvolveu e, também, do confessionalismo da melhor e mais pura tradição sonetista. Parabenizo a autora pela publicação de seu livro e profetizo que a sua fortura será exitosa e feliz. Com certeza, a poesia vai sobreviver e esta coleção de sonetos é uma prova de sua longevidade. Ou imortalidade."                             

                                                                Napoleão Nunes Maia Filho (Ministro do STJ e membro da Academia Cearense de Letras)

 

MARIA DE FÁTIMA MAIA afirma veemente ser cearense, precisamente, de Pouso Alegre, Minas Gerais. Tanto o é, que nasceu no dia do padroeiro do Ceará, São José, quando sua mãe estava a passeio nas alterosas terras dos inconfidentes. Sua ascendência familiar é de Limoeiro do Norte/CE, onde a autora, de forma onírica, ainda mora. Passou a resisdir em Fortaleza para se preparar para o então denominado vestibular. Cursou Direito, na Universidade Federal do Ceará, e pós-graduações jurídicas. Em 2010, recebeu o prêmio Costa Matos de Poesia, promovido pela ALANE, Academia de Letras e Artes do Nordeste. É também autora do livro de poemas Borboletário, pela Confraria do Vento, de 2011.

 

 

 

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Informações adicionais

  • Autor: Maria de Fátima Maia
  • Preço: 45,00
  • Categoria: Poesia
  • ISBN: 978-65-5844-000-0
  • Nº de páginas: 70