revista

 

expediente

outros

números

envio

de material

editora

cartas

dos leitores

links

contato

 

 

 

 

 

 

cândido rolim


chão repentino

 

 

 

zoom

nada é nítido sem
um cortejo de
imediações

sem outra paisagem
que o olho
recort                     a
         (d)

 

 

chão repentino

uma coisa inquieta
a boca quer dizer sem
noção nem
suma

isso quando não cisma
de ser algo mais
jamais completo

parece desconfiança
em ponto de chegada
ou porto de partida

esse cair sem passar
do chão
ambíguo
 

 

homem sem vinco

dispenso por ora
o seu cultivo de
máximas

a mesma lamúria de
pureza fingida

ajunte o hábito
mais o conveniente
acervo de dúvidas

posto não poder predicar
no vazio

sua ação lapidar
pede um
relato sem ruídos
 

 

a boa técnica manda

o sóbrio sobrolho
sem abandono da gravidade
reflexiva

vasculha o cunho
alude ao uso
deliberado
do contraste

antes de se dar
a alguma vontade
interior

 

conta o entorno

o que expõe despeja
apenas uma caliça de
dúvida sobre os seus
juízos manjados

porque ainda insiste que
venha de dentro um sentimento
clássico

não vou insistir que veja
no fundo do meu rosto
significado algum

remorso
soco mal mascado

e se o que digo
é tudo vão
aguarde então noutro sítio que
algo aconteça


caliça

na adversidade
salgo

começo por aplicar
murro direto sem
rumo

falto de coisa mais
edificante

divido o riso com
estranhos

 

mínima adjacência

dê vez ao próximo da fila ou
facilite o troco

exame mais demorado
luz direta
na cara

contraria a reputação
a custo construída

riso aceno sotaque
tudo falsa
aproximação

se não corresponde
tegumento e
tez


35 anos

segunda-feira
os sapatos arrancam
faíscas do
saibro

elaborado um homem começa
a discrepar
de tudo
 

 

talho

retalhe a
pálpebra e
sinta a fabril

contorção
da polpa
 

 

anti culto

bicho sem ter mais
palavra nem com
que pedir ou
vigiar

eu já esqueci
não por querer todos
os nomes

agora
quer dizer diga
seu posto
dígito sua
profissão

diga quanto
vale seu
valor
 

 

bom por definição

acho a fu
levar a mão assim
deixar os pés sem
passar no pelo
bem no rumo
no meio rir

sem o travo
de um receio

 

aprés Mourid Barghouti

um homem-bomba não é homem
nem bomba
anarco organismo de n
estopins

dispositivo de detonação
altamente desenvolvido

uma máquina
sensível humana fria revoltada
cega
menos covarde

 

incursão

cravo a mão
toda na carne do
quarto escuro e

cato um
objeto adivinhado
destacado de
outro anseio

completo
abandono
 

 

 

CÂNDIDO ROLIM nasceu em Várzea Alegre (Ceará), em 1965. É autor de Camisa qual (Éblis, 2008), Fragma (Funcet, 2007), Pedra habitada (AGE, 2002), Exemplos alados (Letra e Música, 1998), entre outros. Tem poemas, resenhas, contos e ensaios publicados em diversos jornais e revistas impressas e eletrônicas, como a Caos Portátil, o Estado de Minas e o Rascunho.
 


 

voltar ao índice | imprimir

 

 

confraria do vento

 

 

counter fake hit page