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manoel de barros


mini-(quase-nada)-conversa-fiada-ensaio

 

 

 

Desavisos que é preciso dessaber:

1. Esta foi uma conversa essencialmente “sobre nada”
2. Foi feita de bocós para bocó
3. Assim: enquanto um bocó perguntava “de à vera”, o outro, por seu lado, respondia “de à brinca”
4. Respostas em manoelês archaico
5. Podem ser, também, um nada inventado
6. Agora, “avance para o começo”
 

 

Confraria: Todos perguntam ao senhor: “qual é a matéria de sua poesia?”. Nós perguntamos: o que é matéria de poesia?

 

Manoel: Pra meu gosto matéria de poesia é a palavra Poesia, pra mim é armação de palavras com um canto dentro. O canto é que comanda o verso até chegar a um encantamento. O canto pode ter até ritmo de samba ou forró.
 


Confraria: Quantos cagos são necessários para desmoralizar um sublime?

 

Manoel: Você sabe que o sublime é teimoso e bem guardado pelos aristocratas. Carlitos desmoralizou o sublime com a sua bengalinha de vagabundo e a sua cartola. A cartola e a bengalinha de Carlitos foram cagos geniais sobre o sublime dos aristocratas. O meu cago foi modesto e nem mil que eu desse no sublime valeriam como a bengala de Carlitos.
 


Confraria: O senhor acha que a qualidade da poesia brasileira de hoje é a causa do aquecimento global?

 

Manoel: Acho que a poesia não causa nada porque a poesia é nada. E se o Nada desaparecer a poesia acaba.
 


Confraria: Em meio ao pregão entre poetas “eruditos” e “populares”, dê seu lance: é possível realmente uma poesia afastada da realidade ou toda poesia é, afinal, uma outra realidade.

 

Manoel: Acho que poesia é uma outra realidade. Ela é produto das visões de um poeta. E as visões trazem por dentro nossas loucuras, nossas fantasias e coisinhas à toa, sem procedência.
 


Confraria: O que é mais virtual, a poesia publicada na internet ou a poesia que um poeta não conseguiu publicar?

 

Manoel: Poesia virtual há de ser como a transa virtual. No meu tempo de menino transa virtual a gente chamava de matar bentevi a soco. Na internet não sei como chamam a poesia virtual.

 

 

 

MANOEL DE BARROS é advogado, fazendeiro e poeta. Universalizador do Pantanal, mutilador da realidade, apregoador de urinóis enferrujados, um dos maiores vendedores de poesia do Brasil, seja lá o que isso queira dizer, dispensa maiores apresentações. Esta conversa de bêbados foi travada numa manhã de domingo, na feira, entre a missa e o almoço.

 


 

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