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sebastião edson macedo


língua e outros poemas
 

 

língua

 

 

I

a língua vara lânguido silêncio
liquens
             o céu humo cerrado

embrenha bastos lábios amplexos
nuas pérgulas pernas de quintal
os cravos em carne
                                  e feno

 

 

II

lateja
           os bordões guardados na úvula
as tiras de punho linho
o óxido solo de girassóis
grinaldas gritando amarelo

                                                amarelo
contra escarlates de terra zarcão
 


 

III

lato
            o suco fôlego punho troçar
desce musgos
troncos térmicos sais
dissolutos torques
arranques
                         surtos

o arbusto botão dessa nuvem

 

 

IV

depois

                   açude

sobejam vestes
vimes
          meias
escorrem os ósculos cantos
mucos alados
                       delidos
em linóleos pássaros de avelã

 


V

a língua despe pele de palavra

amolada toca



                        mina


 

                        ***

 

 

no jirau

saúde de eva
temperando gomoso

o pudor dos peitos
mas os pés
                    nus
 

 


na canoa

assento sombra
as coxas de madeira

pálio bento banzo

a reza dos remos
candeia guia
                        os anzóis

 


no azulejo

esmalte lágrima
na face muro das aras

álacres cacos de prece
as flores
                 um luso anil

 


pátio

arrimo dorso
                     pombo
prédio abstrato

lastro símile cinza
uma rajada
                      grafite som

 

 

sesta

num salto





reflexo fundo

insone brisa
                        folha

superfície
sobrancelha círculos
o rio
              arrepio desperta
 

 


búzio
 

nas costelas da concha
areia que semente
                                pérola

dentro
             ouvido
águas de moenda
mugido
             do mar
 

 

SEBASTIÃO EDSON MACEDO é piauiense, de Floriano, nascido em 1974, ano do búfalo, quando o sol saía de capricórnio. Estréia em 2004, na antologia 8 Poetas, com o livro cego puro sol. Traduziu um pouco de Shakespeare, Fernando Pessoa, Elisabeth Bishop e Octávio Paz. Como artista plástico bissexto, apresentou o trabalho Território Cego – 91 destinos, na Sala João do Rio, UFRJ/Faculdade de Letras. É editor-assistente da Azougue Editorial. Bolseiro da Cátedra Jorge de Sena desde 2003, publicou o ensaio As máscaras do desassossego – tragédia sem factos na revista Metamorfoses. No momento, conclui graduação em Letras pela UFRJ.
 


 

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