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mai-jun 2007


 

Borges é o ícone da narrativa latino-americana. Há quem discorde, todavia deverá argumentar insistentemente e munido de cabedal mais que vasto. Não queremos a discussão vazia, nem o vazio da discussão. Queremos discutir, como o faz Kiefer, neste número: entrar pelo entre-meio, pelo entre-lugar, pelo entre-mentes, pelo ente bibliotecário, sobre os ombros a Biblioteca de Babel. Saímos da recente comemoração de dois anos e desejamos entrar, dessa forma, pela constelação dos séculos que vêm.

Não por acaso, Ruy Câmara, narra-nos um fato vívido e vivido ao lado do sempre-vivo, entre sempre-vivas, Gerardo Mourão. Não, não é demais falar do Gerardo, nunca. Como o anel do Fantasma, estamos marcados por sua letra. Poderíamos, ao invés de citar o Fantasma, citar o Super-Homem, aí entraríamos em uma zona intersectiva com Nietzsche. Rod Britto o faz, porém, como se abrindo uma janela para acima do destino de um povo e de seus líderes e suprindo as lacunas divinas ao gritar que o povo é El Shadday (aquele que se basta!)

“Meu coração não agüenta mais maquiagens” afirma o narrador de Marcelino Freire. É nosso porta-voz, nosso porta-aviões, nosso porta-retratos. Nas encruzilhadas desse imenso país imaginário, país literário, deveriam os cinco mil auto-falantes reproduzir em eco, uníssono e retotono, a fala desse ator. Não somente isso. Erwartung: “A esperança é o desespero de quem espera...”. Parece ser esse o nosso caso mais denso: a esperança latino-americana, essa que seria a última a morrer.

Nuno Rocha, nos ofertando uma tradução de Artaud, e Artaud se ofertando em tradução para o Nuno, os dois olhando o nosso tempo-estábulo, questionam-se se seriam homens ou animais. Respondam-lhes, observando o tempo-híbrido, o nada-sóbrio, o tempo-ébrio, esse pelo qual somos possuídos. Ofertem suas respostas, suas apostas. Se não conseguirem, ou se não atingirem esse último degrau, observem as imagens de Fernando Figueiredo, o nosso ilustrador. Observem e observem.

Se ainda assim ficarmos atônitos busquemos saída no par aproximativo História-esposa e Literatura-amante pensado pelo renitente Luciano Vieira Francisco. Claro está a nossa retomada alinhada com a excelência. É nossa busca. Seguimos estritamente a orientação de Borges: buscamos pelo prazer de buscar, não pelo prazer de encontrar. Agora, senhores, temos uma certeza, a mais certa, na América, essa latina, estamos todos amarrados por um sonoro, luxuoso e valente Bombo de Corda. Vamos ver-ler-ouvir-discutir!


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